Um dia depois do dia das mulheres…

Cesar Mangolin

Propositalmente não coloquei nada no ar sobre o dia internacional das mulheres… Muita gente o faz, por vezes (e  na maioria das vezes) daquela forma vazia e mecânica, como quando damos parabéns e desejamos “muitos anos de vida” e coisas do gênero.

Temos datas especiais apenas para três situações: ou trata-se de um evento interessante para o comércio (natal, dia das mães , pais, crianças etc etc); ou de uma data histórica; ou tratando de gente que sofre violência secular e que, portanto, merece uma data para ser lembrada: dia do índio, da consciência negra, do trabalhador, …. das mulheres.

Não sou contra essas datas: penso que elas podem ser marcos, todos os anos, das lutas contra todas as formas de discriminação, preconceito, violência, exploração. Somente as trato como deveriam ser: dias de luta, ou melhor, marcos anuais de uma luta anual, de uma luta da vida inteira.

As trabalhadoras que morreram queimadas e deram a data do dia internacional das mulheres devem ser lembradas pelo exemplo de luta. Não gosto de adocicar as coisas…. Não é uma data para que os homens comprem docinhos e flores e distribuam pelos escritórios para, na sequência, persistir na dominação machista. É uma data que deve celebrar nossas diferenças, sim. Mas, ao mesmo tempo, para fazer isso, deve celebrar a luta contra a desigualdade. A diferença não justifica a desigualdade de forma alguma, a não ser na mente dos liberais e positivistas, agentes do capital de todo tipo.

De minha parte, então, prefiro pensar na luta das mulheres. Por isso não insisto no dia. Seria falar no vazio.

Não que falar agora tenha ampla repercussão, mas pelo menos as energias que lança são no sentido da luta pela emancipação e não pela perpétua celebração da submissão uma vez a cada ano.

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Um comentário sobre “Um dia depois do dia das mulheres…

  1. Sabe de uma coisa? Concordo. Concordo com o vazio da data, com a utilização irônica dela por parte do comércio. Mas consigo ver muita gente por aí utilizando bem essa data – inda é válido, sei lá.

    Mas uma coisa estupidamente engraçada: em pleno dia da mulher, sentei-me pós-almoço numa praça (pra assentar a preguiça) e atravessou uma avenida movimentadíssima um moço (totalmente desconhecido por mim) estendeu a mão e disse: – feliz dia das mulheres, sorriu, atravessou, e se juntou novamente com um colega, dando alguns risinhos marotos. Tem como isso ser mais irônico? Morri de rir. O dia da mulher serve até de cantada. Boa essa, hein?

    Menino,
    Abração!

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