Debate sobre a educação formal

Copio abaixo um debate bastante interessante sobre a educação formal (escolar) travado com estudantes do curso de filosofia EAD da UMESP. É resultado de uma aula em que toquei nas contribuições de Pierre Bourdieu e Louis Althusser na análise do papel da escola nas formações sociais capitalistas. Apesar de longo, me parece interessante.
Não reparem nos erros de digitação: escrevemos no forum textos corridos (em todos os sentidos rs) e nem sempre há a preocupação de revê-los no sentido da correção. Funciona mais como um bate-papo, daí certa desperocupação com estilo e mesmo a correção.
Continuemos o debate!
Cesar Mangolin.

 

Liberdade
Diferenças Socio-Culturais
por SIMONE DE NARDI GRAMA – quarta, 10 março 2010, 08:52
Bom dia prof. Cesar

Tudo bem?

Durante a aula de ontem(infelizmente por problemas no Pólo, perdemos mais de meia hora do inicio dela), comentávamos sobre as diferenças culturais entre as classes sociais, as quais  Você( o sr. disse que não quer ser chamado de sr. rsrsrs) se referiu, e nos lembramos que a USP por ser uma Universidade pública(assim como tantas outras Universidades públicas), não recebe, em sua maioria, alunos vindos de escolas públicas, e que esses mesmos alunos que não tendo , muitas vezes, recursos financeiros para cursar faculdades particulares, ficam colocados de lado pelo próprio sistema educacional que deveria auxiliá-los.Essa a grande contadição do mito da liberdade e da igualdade, porque só quem se capacita é quem tem maior conhecimento, ou seja, não há interesse em que parte da sociedade, a classe mais inferior, tenha direito a esse acesso, por ser preparada para produzir e ficar quieta(num grande: vocês nasceram para isso).E entra a filosofia da educação e o que Althusser  falou sobre os professores:

Vimos com o prof. Wesley que a Filosofia da Educação, além de investigar a conceito educação, incentiva(ou deveria) incentivar os alunos a pensarem por si mesmos, e a questão que coloquei no meu trabalho, e gostaria de colocar aqui é a seguinte:

Se a filosofia incentiva a reflexão, como a verdade dita por Althusser pode existir? Sei que Sartre coloca que cada um faz a sua escolha, seu projeto de vida, mas os professores com liberdade de pensar e agir e , se desejarem, se libertar, que fazem a esse respeito? Pode o ensino mudar os alunos se não consegue mudar os professores?

A solução para os problemas dentro da educação brasileira, encontra-se na própria educação, ou: neutralizando os mecanismos de controle ideológico instalados no regime capitalista, que cuida de reproduzir estas desigualdades. Revolucionamos a educação ou o sistema? 

Grande abraço Prof. César,

Parabéns pela aula e pela facilidade de explicar tuas ideias.

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Re: Diferenças Socio-Culturais
por CESAR MANGOLIN DE BARROS – quarta, 10 março 2010, 12:36
Oi Simone

fico feliz com as suas questões. Respondo repetindo, em negrito, as suas questões.

Vamos a elas:

Se a filosofia incentiva a reflexão, como a verdade dita por Althusser pode existir?

A filosofia incentiva a reflexão, mas temos um grande problema aí: como se faz essa reflexão? Queme estuda a filosofia, ou “ensina” a filosofia chegou a refletir sobre essas questões? Marx dizia, em outras palavras, que se a educação era a solução para os problemas sociais era necessário fazer uma pergunta anterior: quem educa os educadores? Somos formados, na verdade, para perceber a escola e a certificação como algo fundamental. Dificilmente pode-se encontrar gente que defenda a pura e simples extinção das escolas! Isso porque temos um imaginário construído no sentido de atribuir à escola e ao papel docente uma tarefa importante e misteriosa. Digo misteriosa porque é mistificada. O ponto de partida da reflexão sobre a educação é a necessidade das escolas. O que precisa ser o ponto de partida é a sociedade sem escolas. Manter a escola e atribuir a ela esse papel social fundamental leva a reflexão para a busca de formas de ajustar a escola, corrigir erros do sistema de ensino e não ao questionamento do seu próprio papel.

É por isso, me parece, que a filosofia não é capaz de avançar na questão, porque o centro da coisa não é a filosofia, mas, diríamos assim, a forma e os pressupostos dessa reflexão filosófica, bem como as ligações de classe dos filósofos.

Sei que Sartre coloca que cada um faz a sua escolha, seu projeto de vida, mas os professores com liberdade de pensar e agir e , se desejarem, se libertar, que fazem a esse respeito? Pode o ensino mudar os alunos se não consegue mudar os professores?

Essa questão é ótima. A parte final já foi respondida com a citação livre do Marx sobre os educadores. A parte inicial é interessante: Sartre diz que fazemos nossas escolhas, nossos projetos de vida etc etc… Fazemos mesmo? Não sou muito simpático ao existencialismo e ao pensamento de Sartre. De qualquer forma, me parece sempre necessário, quando obtemos essas afirmações de um pensador, buscar aproximá-la da realidade concreta. Como dizia Lênin: “fazer a análise concreta da situação concreta”, ou seja, buscar, até onde é possível, uma aproximação com a realidade e buscar nas nossas relações sociais as possibilidades desse tipo de afirmação se realizar. Parece que, se fazemos isso, nossas relações sociais predominantes (e nas quais estamos inseridos e somos produtos delas) desmentem categoricamente a afirmação de Sartre.

Não somos indivíduos singulares, cada qual plenamente livre para fazer da vida o que quiser. Esse é o discurso liberal. Somos, como dito, produtos do meio, nascemos em um mundo organizado de uma determinada forma e num lugar social específico, nossas representações desse mundo e também as possibilidades que temos nesse mundo são determinadas por suas estruturas e não pela nossa vontade. O leque de opções que pode haver para a escolha de um de nós é totalmente determinado por essas circunstâncias específicas.

O meu pai, por exemplo, foi motorista a vida toda (de ônibus, de caminhão etc). Qual foi a possibilidade de opção que ele teve? A única opção que tinha quando jovem era a de tentar sobreviver, isso o fez aceitar um trabalho numa empresa de ônibus como cobrador e isso permitiu que ele se tornasse motorista e vivesse para garantir apenas a subsistência da família. Caso o trabalho que tivesse aparecido fosse numa fábrica de qualquer coisa, ele provavelmente (com muita sorte!) teria passado a vida inteira sendo operário. Não há essa suposta liberdade de escolha e de fazer o que quiser com a vida, pelo menos para a quase totalidade da população.

Os professores, como já disse, vivem da mistificação de sua própria ação (isso os bem intencionados). Como podem desejar a libertação? Na cabeça deles são agentes da libertação! São condutores das novas gerações às possibilidades de sucesso e seus discursos são permeados pela ideologia do mérito pessoal que, como dito na aula, lança nas costas dos indivíduos a responsabilidade pelo seu fracasso, mantendo ilesas e sem crítica as estruturas sociais.

A educação muda os alunos: tira deles a criatividade, formata seus cérebros de acordo com a distribuição necessária dos grupos determinados na divisão social do trabalho, torna-os dóceis à exploração capitalista e a ideologia do mérito torna justificáveis quaisquer misérias sociais.

A solução para os problemas dentro da educação brasileira, encontra-se na própria educação, ou: neutralizando os mecanismos de controle ideológico instalados no regime capitalista, que cuida de reproduzir estas desigualdades. Revolucionamos a educação ou o sistema? 

Insisto que o sistema educacional é uma máquina bem azeitada, que funciona perfeitamente bem para o fim que se propõe. A busca desesperada de ajustar suas formas para o atendimento de uma suposta vocação libertadora da educação formal é uma grande perda de tempo, que auxilia, aliás, na manutenção da mistificação em torno da escola e vela, ao mesmo tempo, sua real missão de reprodução.

Neutralizar os mecanismos de controle ideológico do capital é uma tarefa que somente pode ser cumprida num processo de transição para outro modo de produção, para novas relações sociais, não capitalistas. Não se pode fazê-lo dentro da ordem capitalista. Portanto, a resposta mais ajustada a sua questão seria que a necessidade é a de fazer a revolução do sistema e não da educação.

Somente após o revés político, ou seja, a perda do poder político pela burguesia, é que se pode iniciar um processo de transição para novas relações sociais de produção. Essa fase é marcada por uma acirramento bastante forte das lutas de classe. A base material, as relações sociais predominantes e a ideologia dominante ainda são as do modo de produção anterior, ou seja, capitalistas. O processo de transição é longo e pode haver uma restauração, fruto da luta de classes, da velha ordem no lugar da nova. Veja como exemplo as tentativas de construção socialista do século XX.

Somente com um processo revolucionário podemos mudar essas coisas todas. Lembre que quando falei da ideologia insisti que ela é produto da própria formação social, ou seja, ela nasce das relações sociais reais. Somente a transformação dessas relações sociais pode transformar a própria ideologia.

Acho que me estendi um pouco, mas suas questões mereciam ainda muito mais.

Vamos conversando.

beijo.

Liberdade
Re: Diferenças Socio-Culturais
por SIMONE DE NARDI GRAMA – quarta, 10 março 2010, 16:48
Nossa; Quanto assunto rsrsr

Bom você disse que o que precisa ser o ponto de partida é a sociedade sem escolas. Pois mantê-las seria atribuir esse papel social fundamental leva a reflexão para a busca de formas de ajustar a escola, corrigir erros do sistema de ensino e não ao questionamento do seu próprio papel.

Minha dúvida é como fazer uma sociedade sem escola? Acho que não consegui compreender o teu raciocínio, (desculpa aí rsrs), achei fantásticas suas respostas e até despertei mais, e queria compreender essa ideia que achei a principal, claro que entendi que no sistema atual essa é uma missão impossível, mas se puder falar mais sobre o assunto eu agradeceria, pode encher qtas páginas quiser, tua primeira resposta já deu um bom debate aqui onde trabalho.

Acho que entendi também que podemos dizer, de certa forma, que os professores são “mal educados” não no sentido de ser e sim no sentido de agir em relação aos seus alunos, tornando-os igualmente “mal educados”, num círculo vicioso que massifica e Não instrui ninguém, a educação de hoje não educa, transforma as pessoas em mal educadas(em termos educacionais mesmo rsrs)

Nós do EAD, sentimos certa dificuldade, pois nos sentimos meio excluídos do processo educacional, sabemos que muitos professores, entre outras pessoas ligadas ao EAD( não necessariamente da Metodista, mas dentro dela também, até porque tenho amigos em outros cursos EAD que sentem o mesmo) não acreditam no EAD, acham que somos mais preguiçosos , e escolhemos EAD por sermos incapazes de aprender no presencial, como se fosse mais fácil lermos todos os textos que nos são passados sem o auxilio, na hora da leitura, dos professores.O que explica o nível de domesticação de alguns educadores, pois privilegiam uma determinada classe enquanto à outra resta ouvir respostas do tipo: “Vocês não tem que ficar contestando nada do que recebem pois foi isso que vcs escolheram”, quase como aquilo(ou até posso fazer uma referência ao que foi dito na aula) que vc falou em sala, ao se referir que as diferenças sócios culturais dizem que: “Se vc é de classe média só lhe resta ser operário e se vc é de classe alta pode ser Dr.”

Traduzindo: “Se vc faz EAD é preguiçoso, se vc faz EAD é inteligente

Ou seja, se nós , concretamente estamos passando por isso, que liberdade nos é dada de nos transformarmos? Pois se nos dizem que o EAD é apenas isso e não poderemos ser mais do que isso, e que sim, o pessoal do presencial poderá ser muito mais do que nós, que revolução teria feito a internet senão a favor, mais uma vez, do capitalismo?

E chego mais uma vez na questão do ensino e dos professores, que vc respondeu bem:

Os professores, vivem da mistificação de sua própria ação (isso os bem intencionados). Como podem desejar a libertação? Na cabeça deles são agentes da libertação! São condutores das novas gerações às possibilidades de sucesso e seus discursos são permeados pela ideologia do mérito pessoal que, como dito na aula, lança nas costas dos indivíduos a responsabilidade pelo seu fracasso, mantendo ilesas e sem crítica as estruturas sociais.

Acabo assim por acreditar que a educação nada mais é , me corrija se eu estiver errada, de uma falácia do capitalismo para entreter a classe menos privilegiada e fazê-la acreditar que possa ser alguém um dia, que possa, um aluno “preguiçoso “ do EAD, se tornar professor de uma universidade qualquer! E pelo jeito pouco se poderá mudar rsrsrs

To adorando a discussão

bjs

Simone

Antonio Simões
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por ANTONIO RAIMUNDO SIMOES DA SILVA – quinta, 11 março 2010, 07:13
Concordo com voce Simone. Não só a formação básica está sujeita a displiscência com que são tratados os cursos e as escolas de formação no Brasil.

Estive lendo os exemplares do jornal da Universidade Metodista, nos últimos anos, e constatei o obvio: nenhuma referência digna aos cursos voltados a formação humana, dando ênfase total e irrestrita, aos cursos de formação técnica. Não vai aqui nenhuma critica à instituição, ela apenas segue o rumo traçado pelo sistema em que está inserida. E daí, não é mesmo? Rsrs. Se quisermos empreender uma critica ás instituições de ensino, nada mais produtivo, que olhar para aquela em que estamos envolvidos – Partir do ponto de vista de onde estamos – do lugar e das circunstâncias que estamos ligados. Verificamos para tristeza nossa, que: se o formação presencial não tem, hoje, a qualidade que deveria ter, que dirá cursos como EAD. Nos dirão com certeza, que esta forma (criativa) de democratização do ensino, é sem dúvidas, a solução dos problemas educacionais brasileiros…………….

Bem, Estamos sem dúvidas (isto sim), numa das instituições de ensino mais conceituadas do país, e como primeira turma, gostaríamos de levar através destes espaços de comunicação, nossa contribuição positiva, no sentido de melhorar o relacionamento entre escola/aluno, que hoje, infelizmente é deficiente. Não somos radicais, nem tampouco “preguiçosos” ( e isso partiu daí), nem chatos, etc.. somos sim, na maioria de nós, profissionais formados, tentando apenas caminhar e abrir trilhas. Isso sim. Auto reflexão – Auto crítica faz bem em qualquer lugar, seja nos corpos, seja nas instituições, portanto, é apenas isso que pedimos – melhoria no trato com aqueles que gostariam de um dia, em seus apontamentos ou textos acadêmicos, pudessem apontar esta instituição como a melhor do pais.

Perdoem-nos pelo desabafo, mas, este é o espaço mais propício à este tipo de reivindicação misturada á critica do ensino… A propósito, Prof César, agradecemos á você. Foi através do seu blog, que soubemos ( por acaso) dos seminários que estão acontecendo na Casa da Palavra. Conte com nossa participação. Esta conversa está muito boa…

Abraços, Antonio

Liberdade
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por SIMONE DE NARDI GRAMA – quinta, 11 março 2010, 08:08
Resumindo o que entendi:

A escola forma para o que é, e não para a possibilidade do Vir a Ser.

No caso da classe inferior, ela se formará  para permanecer nesse nível, e não para galgar outros niveis, ela é o que é, e segundo o sistema educacional moderno, nada mais poderá vir a ser.

è só resta uma questão, que o prof. César também colocou:

Teriam os professores, sobretudo os de filosofia (da educação) desistido de questionar?

E volto a lembrar de uma palestra conferida na metodista pela Prof.Dra Sonia Felipe na qual ela foi efusiva e so restou um certo “silêncio aterrador” depois que ela calou-se:

” E o Filósofo não questiona”

Porque  em alguns casos, se questionar o sistema, acaba, como um amigo meu prof de filosofia, acabando na secretária da educação para responder o motivo pelo qual “Seus alunos estão pensando”, logo, dá para imaginar , nas turmas, sobretudo de filosofia, haverá uma placa com a inscrição:

“É´proibido pensar”

rsrsrsrs

grande bj

Simone

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Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por CESAR MANGOLIN DE BARROS – quinta, 11 março 2010, 10:20
meus caros Simone e Antonio, que se juntou a nós.

nosso debate está bem interessante e são questões diversas.

Vou dar mais alguns pitacos aqui.

Primeiro, num curso a distãncia, esse deveria ser um espaço amplo de discussão aberta e livre, para aproximar mais estudantes e professores, que infelizmente não é muito utilizado por ambos. Os estudantes não participam, professores, no geral, nem entram aqui, uns culpam, quando questionados, os outros pela baixa participação e assim vai.

Claro que conversando de viva voz e presencialmente se pode dizer muito mais (entendem????) e também ter questões e respostas imediatas, facilitando a comunicaçãoe a troca de idéias.

Sinceramente sinto um prazer enorme quando na aula (EAD ou presencial) vem uma questão ou uma discordância. É o que nos faz sentir gente igual a todo mundo de novo e não um boneco falante…

O EAD tem problemas diversos, contradições imensas e insolúveis. Pode ser tratado como uma forma da democratização do acesso ao ensino superior e ao mesmo tempo um negócio muito lucrativo; pode oferecer certa qualidade (esse negócio de medir qualidade é sempre difícil…) e ao mesmo tempo representar a precarização do trabalho docente; exige nos planejamentos semanais mais do que se exige de leitura e atividades no presencial, gerando o autididatismo e o hábito/necessidade (mais importante que o gosto…) por estudar, fazendo com que os estudantes tomem em suas mãos o processo de conhecimento e de produção de conhecimento e ao mesmo tempo permite que estudantes que querem somente a certificação tenham mais facilidades que no presencial de empurrar o curso com a barriga; enfim, contradições…

Tratá-los, todos, como gente preguiçosa e coisa do gênero é uma redução, assim como tratá-los todos como brilhantes estudantes auto-didatas é ingênuo. É nas contradições que devemos centrar a nossa reflexão.

Quando a Simone fala que “os professores não acreditam no EAD” temos um problema aí, que na minha opinião tem relação com uma certa mistificação que ainda ocorre com o trabalho docente. Se encaramos o trabalho docente como um outro trabalho qualquer, como uma profissão como qualquer outra, através da qual se ganha um tanto de dinheiro para se manter a sobrevivência, qual a necessidade de se “acreditar”? Por que não cobramos do operário, do motorista de ônibus, do faxineiro, do garçom, do engenheiro que acreditem que seu trabalho é algo de fundamental? Insistimos em uma certa concepção de que o professor tem uma tarefa magnânima e essa mistificação ajuda a manter tudo como está, caminhando para pior. Não há nada ruim que não possa ser pior.

Não é tão difícil fazer isso. Basta sair das mistificações e tentar uma aproximação com a realidade, com nossas relações sociais, nossas próprias histórias de vida e as que conhecemos. A educação formal e a certificação pode permitir o acesso a um trabalho não-manual (privilegiado em nossa sociedade com relação ao trabalho manual, mas não mais importante), pode fazer com que (pouca) gente que nasceu nos limites entre a miséria e a pobreza ascenda para o setor médio (jamais além disso) com muitos acasos interferindo aí (meu caso, por exemplo), pode até fazer, por causa do curso ou de algum professor especial, que pensemos as coisas de forma um pouco menos ingênua. E para aí.

Ela não transforma nada. Ela não é libertadora, por mais que os freireanos pretendam torná-la assim. Ela serve para reproduzir a mesma ordem e os que adentram nela, após começarem a tomar suas próprias decisões, persistem nela porque buscam a certificação necessária para a conquista possível de um emprego que lhes garanta a subsistência ou algum conforto na vida. A educação formal está intrinsecamente ligada a isso e não pode garantir nem isso.

O estudo que transforma indivíduos ingênuos em combatente pela libertação não é feito na escola. Poderíamos ter um curso somente de teorias revolucionárias por anos a fio e isso não formaria nenhum revolucionário: formaria gente que sabe tudo sobre tepria revolucionária apenas.

São as próprias condições de vida, é a interpelaçãoda própria realidade o ponto de partida (geralmente sem volta) dos estudos que, por sua motivação inicial, estão intrinsecamente ligados à prática da vida e não ao emprego etc. O recurso ao conhecimento humano acumulado como forma de compreender sua realidade gera uma sequência perpétua: a prática militante e a própria realidade o interpela, há o recurso às teorias para buscar sua compreensão, isso explica um pouco mas suscita uma série de outras questões no retorno à prática, que obriga novo recurso à teoria, a produção de novas teorias, e assim vai.

Pseudo-revolucionários formados nas universidades na década de 1960 engrossam a fila dos comunistas arrependidos de hoje, que criminalizam os movimentos sociais e são adeptos fanáticos das políticas liberais e defensores da reprodução do capital. Os jovens que inciam a militância política por causa de alguma influência recebida na escola tem vida militante muito curta. Basta ver a rotatividade grande dos militantes das organizações juvenis. A escola não pode fazer isso porque é necessário partir da prática e não da teoria. A necessidade desta é o passo seguinte, que muitos também acabam por não realizar e aí temos os militantes “pés de boi”, como são chamados, pau pra toda obra, mas que se desgastam rapidamente, perdem o sentido da luta, tornam-se oportunistas ou abandonam a militância pura e simplesmente.

Quando falamos em transformação o que vem a minha mente é a transformação de nossas relações sociais de produção e de toda formação social, ou seja, a revolução. Para isso, insisto,  a escola não pode contribuir porque é o contrário, exatamente o contrário, da sua tarefa.

O professor é um trabalhador como qualquer outro, que precisa sobreviver e, portanto, vende aulas. Esse trabalho pode ser prazeroso? Claro que sim. Prefiro ser professor do que trabalhar com projetos de construção de laboratórios industriais, como fiz durante dez anos da vida. O contato com os estudantes é revitalizador, podemos discutir temas interessantes, confesso que me divirto muito nesse trabalho, além de ser bem remunerado se realcionamos nosso caso com a maioria dos trabalhadores brasileiros. Que sorte a nossa, ou a minha em poder trabalhar em algo que é prazeroso. Mas é um trabalho, não minha vida. É a forma como garanto a subsistência da minha família, não meu projeto de vida, minha “missão”, minha razão de viver. O trabalho docente somente pode ser a razão da vida de alguém quando esse aguém compactua com a ordem capitalista, pois é isso que ele ajuda a manter, mesmo sem querer.

A razão a vida mesmo, se de fato pensamos em libertação da opressão, da exploração, o fim das misérias humanas, é a militância ativa, inclusive na elaboração teórica, que é também uma frente de luta.

Me estendi demais novamente. Paro por aqui. Quero ver o que vem (rsrs). Tocar no “brio” dos professores é como jogar pedra em caixa de marimbondo! (rsrs)

Não corrigi o texto. Desculpem os erros.

Imagem de CESAR MANGOLIN DE BARROS
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por CESAR MANGOLIN DE BARROS – quinta, 11 março 2010, 10:25
Esqueci de uma coisa:

Simone: quando falei que devemos tomar como ponto de partida a sociedade sem escolas quis dizer que a reflexão sobre a educação deve ser feita sem ter como pressuposto, como necessidade básica, a manutenção da escola. Caso não façamos isso apenas vamos discutir formas de melhorar a escola, criando mais alguns desses planos mirabolantes que aparecem vez ou outra.

Podemos pensar em instituições responsáveis pelo “ensino” bastante diferentes das escolas como as conhecemos… em outro tipo de sociedade.

Daí a conclusão que você mesmo chega sobre a “falácia” da educação formal dentro do capitalismo.

Sei que minha posições podem parecer muito radicais (e de fato são), mas me parece que somente podemos transformar as coisas assim mesmo: indo à raiz delas.

Isso serve, pelo menos, para fazer um contraponto ao discurso corrente de pedagogos, sociólogos e filósofos sobre as pedagogias de todo tipo e as tentativas de salvar a escola.

Liberdade
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por SIMONE DE NARDI GRAMA – quinta, 11 março 2010, 14:00
Adorei seus pitacos prof.

Na verdade a referência ao EAD foi mesmo outra referência a distinção de classes que vimos nas tuas aulas: nada de liberdade, X é isso e Y é aquilo, porque eu sou grande(o sistema) e você é pequeno(alunos)

Confesso por mim, ok, que qdo vimos que iriam entrar matérias como Sociologia(ciências Sociais) isso não agradou a todos naum rsrsrs, mas daí essas duas ultimas aulas foram um descortinar de realidade , daí não teve jeito, é atacar o fórum e perguntar rsrs depois de ler Sartre, não tinha como não explodir rsrsrs Confesso também que alguns desanimaram, os fóruns eram sempre superconcorridos antes, depois parece que a turma foi aquietando um pouco, não sei, confesso(de novo) que qdo tinha dúvidas e não tinha fórum, eu escrevia para os professores e desde o primeiro semestre, alguns ainda não me responderam rsrsrs. Temos culpa, ainda mais a seu respeito, porque vc é a jato para responder nossas dúvidas, não haverá desculpa por parte dos alunos em dizer: Eu não entro no fórum, eles não respondem rsrsrs

Na verdade, o que ocorre também é que , assim como perdemos meia hora da sua aula na terça-feira, vez ou outra também nos deixam fora do sistema e não conseguimos mandar perguntas, mas o povo de Mauá , apesar de pequenos, sempre discutem muito.

Essa do boneco falante foi boa, a gente na classe de vez em quando levanta o braço para fazer uma pergunta para vcs rsrsrs

Bom, prof. o que ouvimos falar do EAD é isso, ouvimos de monitores e professores de vários outros cursos, mas ignoramos até porque mantemos o foco naquilo que desejamos, aprender e não apenas nos tornar professores, alguns aqui nem querem dar aulas, mas apenas fazer filosofia.

Gostei de ler dois trechos dos teus “pitacos” ; Ela não transforma nada. Ela não é libertadora, por mais que os freireanos pretendam torná-la assim. Ela serve para reproduzir a mesma ordem e os que adentram nela, após começarem a tomar suas próprias decisões, persistem nela porque buscam a certificação necessária para a conquista possível de um emprego que lhes garanta a subsistência ou algum conforto na vida. A educação formal está intrinsecamente ligada a isso e não pode garantir nem isso.O estudo que transforma indivíduos ingênuos em combatente pela libertação não é feito na escola. Poderíamos ter um curso somente de teorias revolucionárias por anos a fio e isso não formaria nenhum revolucionário: formaria gente que sabe tudo sobre terapia revolucionária apenas.

E fico pensando na Filosofia da Libertação do oprimido(Dussel), uma educação que Literalmente não chega ao oprimido, e que parece magnífica no papel, porém na realidade o oprimido jamais vai conseguir ter acesso a um livro de 95 reais, qdo pede 50 centavos para comprara um pão e em tantas outras ‘liberdades” que jamais alcançaremos nesse sistema.

Conheço um professor de filosofia que foi chamado a Diretoria da escola, depois a secretária da educação porque ao falar de filosofia ele literalmente mostrava essa mesma realidade de classes, entre outras(ele é pioneiro no ensino de Direito animal no ensino médio), o que começou a fazer os alunos questionarem tanto outros professores, como os pais. A primeira reclamação veio dos pais, a chamada à secretaria veio dos próprios colegas de profissão, pois não sabiam responder aos questionamentos dos alunos, tipo: “Ficou colocando minhoca na cabeça deles e agora temos que falar sobre algo que nunca paramos para questionar”!?!?!?!?!?

Filosofia da libertação do oprimido, ou filosofia da opressão ao liberto?

César disse:

Quando falamos em transformação o que vem a minha mente é a transformação de nossas relações sociais de produção e de toda formação social, ou seja, a revolução. Para isso, insisto, a escola não pode contribuir porque é o contrário, exatamente o contrário, da sua tarefa.

Mas como transformar se a própria sociedade não permite? Fazer teoria filosófica, boa no papel, impossível na prática? Problema sem solução? Porque não acredito que vá surgir uma instituição séria que leve o conceito educação a Sério, é tudo muito bonito, mas não funciona. Correto? Aliás, vi que funciona para manter as coisas como estão rsrsrs

Cesar diz:

A razão a vida mesmo, se de fato pensamos em libertação da opressão, da exploração, o fim das misérias humanas, é a militância ativa, inclusive na elaboração teórica, que é também uma frente de luta.

Mas como fazer essa militância sendo que todos estão atrelados a mesma charrete ? dois ou três escapam, dez seguram rsrsrs, ai você ta me dando um nó no cérebro.

Cesar ainda diz:

Me estendi demais novamente. Paro por aqui .

Ah, que pena, tava tão bom de ler, até compreendi essa parte da sem escola, sem esse tipo de escola na verdade, essa escola de dominação e formação, bem The Wall( vc quebrou minhas pernas, pensei que ia inovar fazendo referência ao filme no meu trabalho, busquei a letra, puxei um link e poft, vc passa o filme na terça feira kkkkkkk lá se foi minha inovação de ideias rsrsrsrs)

Mudar a sociedade, mudar o sistema poderia realmente mudar as vidas das pessoas, o difícil é Como fazer isso?

Grande bj e não ligue, se estenda muito nas repostas, pois estou salvando tudo, hoje começo a ler os textos que vc passou no planejamento semanal, se tiver outros para indicar, eu agradeceria , já visitei teu blog e só lamento não poder ir na casa da palavra por causa do horário, faço outro curso no mesmo dia.

Simone

Imagem de CESAR MANGOLIN DE BARROS
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por CESAR MANGOLIN DE BARROS – quinta, 11 março 2010, 14:43
logo nós poderemos lançar esse forum como um livro “diálogos sobre a (des) educação”. Bom o título, não?

Minha cara, fazer a revolução não é um ato de vontade. Isso também conta, mas precisam ocorrer certas movimentações objetivas, estruturais, cisão no bloco no poder, ou seja, um racha entre as frações de classe dominantes, uma crise que piore as condições de vida do povo e, para completar, a ação política independente do povo.

Quem elenca esses elementos da crise revolucionária é Lênin, num texto intitulado “A falência da II Internacional”.

Isso é impossível? Não. Temos exemplos históricos sobre esses acontecimentos. A tomada do poder político, que é apenas o início da transição, é possível nessas circunstâncias. O processo de transição vingar já é outra história… Outra longa história. Mas também possível.

Como o povo pode ter uma ação política independente? Não é pela educação escolar que se cria isso. No geral, e a ghistória das revoluções o demonstram, a grande massa na verdade não sabe ao certo para onde conduzir a coisa, apenas sente que não pode mais continuar como está.

Daí entra a importância de organizações revolucionárias, comprometidas historicamente com a luta do povo e reconhecidas por ele por cumprir esse papel. A confiança na liderança do partido revolucionário, conquistada por decadas de luta ao lado dos trabalhadores, é fundamental.

Temos partidos assim no Brasil? Temos. Apenas estamos distantes desse necessário reconhecimento, longe de aparecer como algo sério e  confiável, por conta da própria propaganda ideológica que colocou o movimento comunista em refluxo com a queda do chamado bloco socialista.

Mas, já que temos vida para gastar, vamos tentando construir isso. Aqui sim encontramos sentido, missão, algo que realmente vale a pena dedicar a vida. Por vezes, até a morte.

Estou pensando em colocar esses nossos diálogos no blog, caso você e o Antonio permitam, claro.

Liberdade
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por SIMONE DE NARDI GRAMA – sexta, 12 março 2010, 09:17
A frase dos governos deveria ser:

Brasil, “sem educação” para todos rsrsrs

É legal essa conversa pois dá para comparar os pensamentos de Sartre, com os de Bourdieu e Althusser(se escrevi errado desculpe, estou sem a cola aqui rsrs), porque não apenas Sartre, mas um elenco grandioso nos fala que somos livres para escolher, não dizem o que escolher nem como é realmente essa tal de “liberdade” que deveria, a meu ver, ser igual para todos, e mais do que isso, beneficiar a todos.

Por mim, tudo bem se vc postar no blog, acredito que mais duvidas irão surgir conforme formos lendo .

O que acho “Engraçado” , é esse nosso “viver livremente” tal como o sistema nos escolhe, essa violência simbólica que vi num texto que encontrei de Bourdieu, essas ideias sociais que nos dominam e como diz Bourdieu, não nos deixa perceber que somos manipulados como bonecos, tipo: “Eu sou livre, posso mesmo fazer o que quiser, tanto que vou comer numa rede de lanchonetes internacional, e ir para casa assistir meu BBB, pegar o telefone e ligar para decidir aquela pitomba”

Isso é natural na maioria das pessoas, mas elas acreditam, que estão Escolhendo fazer isso, escolhendo o tênis de 800 reais porque são livres, escolhendo coisas previamente escolhidas para eles, e pensar que a escola, a educação que deveria libertar, é aliada desse sistema dominador e condicionador,a tal violência simbólica.E nós batemos palmas para isso gritando que todos hoje tem acesso a educação,mas qual educação??? A educação que oprimi ou a que liberta? Isso bem poucos param para pensar, até porque a globalização está aí, todos precisam se formar naquilo que dá mais dinheiro.

Achei um texto de Bourdeir que diz o seguinte:

“O termo violência simbólica aparece como eficaz para explicar a adesão dos dominados: dominação imposta pela aceitação das regras, das sanções, a incapacidade de conhecer as regras de direito ou morais, as práticas linguísticas e outras. ”

Por isso achamos que temos educação, por isso achamos que somos livres, só que, até quando vamos achar isso????Já que todas as nossas relações sociais envolvem essa dominação e essa aceitação, né.

Acho que essa imagem que mandei é bem parecida com o que a educação faz conosco rsrs

Bjs

Si

Antonio Simões
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por ANTONIO RAIMUNDO SIMOES DA SILVA – sexta, 12 março 2010, 09:31

BEM ADEQUADO…YES?

Imagem de JOAN BURTON
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por JOAN BURTON – sexta, 12 março 2010, 14:09
Olá gente,
Parece que estou entrando na discussão um pouco tarde, é porque estou em viagem (a trabalho) e não estou podendo acessar muito o internet.

Estou lendo (e adorando) o papo – Si e Antonio as figuras são “demais” e totalmente apropriadas! De alguma forma ou outra todos estão sujeitos a e vitimas de manipulação, mas aí entra a questão – o que é viver em plena liberdade?

Satre indica que somos donos do nosso destino – podendo escolher a todo momento, mas mesmo ele nos dê responsabilidade pelo outro! então a vida em liberdade é uma vida responsável?

A escola… qual o papel dela… formar para que? Um novo mundo ou uma repetição (opaca) da mesma esquema. Contudo, não consigo imaginar uma sociedade sem escola… com certeza, em algum lugar do mundo existe tal coisa – mas mesmo alí os mais jovens aprendem olhando o exemplo dos mais velhos… mesmo alí a sociedade se reproduz! Será que há mais chance de nascer um novo mundo alí\/

Não tenho as respostas mas a discussão talvez nos traga uma luz!

Abraços,

Joan

Antonio Simões
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por ANTONIO RAIMUNDO SIMOES DA SILVA – sexta, 12 março 2010, 09:26
“Ela não transforma nada. Ela não é libertadora, por mais que os freireanos pretendam torná-la assim”.

Só que fazem-nos pensar que podem transformar. È interessante a forma como o sistema nos faz crer que estamos fazendo escolhas, quando na verdade, estamos fazendo escolhas sim, mas, as escolhas que escolheram para nós. Liberdade de escolher do tipo: “um peixinho dentro do aquário – ele pode nadar para o lado que quiser desde que seja dentro do aquário, pois, se pular fora dele…” É neste ponto que confesso, Marx é mais coerente. Pragmatismo, materialismo histórico, concretude. Sartre perto destas questões, beira ao esoterismo de auto-ajuda – “construção de si mesmo, liberdade…”. O capitalismo tem formas sutis de convencimento, muito coerentes, fazendo-nos acreditar que a dita liberdade esta diretamente ligada a capacidade de “ter”. O ter como poder de compra – até mesmo da liberdade. Daí o direcionamento técnico (efusivamente técnico) dos cursos oferecidos (e daí?) nas universidades do mundo todo. Mas como nos fez entender Cesar..rsrs…a escola vai além das paredes da própria escola, ela é concreta, mas as garras do sistema já cuidou de chegar até ai também. Só nos resta portanto…

Abraços, Antonio

Imagem de CESAR MANGOLIN DE BARROS
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por CESAR MANGOLIN DE BARROS – sexta, 12 março 2010, 17:16
só agora consegui ler as mensagnes de hoje. Vocês estão avançando na análise da coisa! Gostei das figuras e da metáfora do aquário…. Foi bem pensada: a liberdade de ir e vir, de expressão etc, etc, tem mesmo essa característica> você é livre para fazer aquilo que é permitido dentro dessa ordem. Caso resolva sair dela, o pau come.

Parece que há um mundo real e um mundo virtual, no qual a maioria das pessoas vive. É como um dos diálogos de Matrix (1º). A ideologia e as relações mercantis nos fazem crer num mundo que não existe.

Seria legal se vocês dessem uma lida num texto que escrevi no final do ano passado e está aguardando publicação numa revista acadêmica de fora daqui, mas eu lancei o mesmo no meu blog. Chama-se “Ideologia e mercado nos quatro primeiros capítulos de O Capital”. Ali tento extrair desses capítulos da obra máxima de Marx a fonte das ideologias na sociedade capitalista. Pode ajudar a gente a avançar no debate. Seria muto legal receber a crítica de vocês que estão empenhados nesse tipo de discussão que, infelizmente, envolve poucas pessoas. É mais fácil viver de ilusão que se bater com a realidade!

Há uma frase, que parece sintetizar isso tudo, me parece que é de Spinosa:

NÓS LUTAMOS PELA NOSSA ESCRAVIDÃO COMO SE LUTÁSSEMOS PELA LIBERDADE”

beijo a todos.

Liberdade
Re: Diferenças Socio-Culturais – Auto reflexão
por SIMONE DE NARDI GRAMA – domingo, 14 março 2010, 18:23
Eu acabei de pegar esse texto, e mais alguns lá que eu achei bem interessante, vou ler e com certeza trarei mais dúvidas rsrsrsr, acho que desde o primeiro semestre não tivemos uma conversa tão produtiva como esta, deu uma guinada no pensamento de todo mundo , com certeza rsrsrs.

 

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