Quem é terrorista na Colômbia?

 Abaixo segue um pequeno texto de um camarada colombiano sobre as razões do tratamento dado às FARC e ao ELN pela “comunidade” internacional.

Longe das pretendidas e divulgadas boas intenções, fica claro o interesse na associação das organizações políticas citadas ao narcotráfico e, ambas, aos governos da Venezuela, do Equador, da Bolívia etc, como se tem feito recentemente.

Aliás, associar ao narcotráfico organizações políticas de esquerda e governos que vão contra as imposições do imperialismo tem sido um muito comum e visa tão somente criar um consenso em torno de um possível recrudescimento (militar) por parte dos EUA e seus rastejantes lacaios latinoamericanos. O candidato José Serra tem prestado esse serviço por aqui também nos últimos dias.

Nunca é demais lembrar que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que garante até agora a presidência para seu sucessor escolhido nas eleições deste ano, é o 82º indivíduo na lista de procurados por associação com o narcotráfico do DEA e do FBI. 

Interessante também é notar que se trata de um sujeito procurado… que mantém relações estreitas com a Casa Branca e com a CIA, além de ser presidente da Colômbia por dois mandatos.  Por que não o “acharam” ainda?

Segue o texto.

Cesar Mangolin.

Por: Carlos A. Lozano Guillén – membro do Burô Político do Partido Comunista Colombiano e editor do jornal “VOZ”.

A senadora Piedad Córdoba (Partido Liberal) questionou em dias passados, em Madri, Espanha, a inconveniência de que a União Européia mantenha na “lista de organizações terroristas” as FARC e o ELN, gurpos insurretos colombianos, de natureza política e militar e partes de um conflito de longas décadas no país.

Realmente é inconsequente, se a UE aspira a contribuir para a paz na Colômbia e para a saída política do conflito armado, manter essa decisão claramente imposta pelas pressões dos governos colombiano e norte-americano, sócios da guerra contra o nosso povo. Apesar de que a inclusão nessa lista das guerrilhas colombianas foi em 2002, posteriormente França e Espanha, acompanhadas da Suiça, que não é membro da União Européia e não considera como terroristas as FARC e o ELN, contribuiram como “países amigos” para a libertação de detidos em razão do conflito armado e na busca do intercâmbio (troca) humanitária de prisioneiros de guerra. Com dois de seus emissários, Noé Sáenz e Jean Pierre Gontard, processados e perseguidos com o pretexto de que seus nomes constam os computadores de Raúl Reyes (assassinado no Equador em 2008).

Muito oportuna a alusão de Piedad Córdoba e, além disso, necessária de ser atendida, porque se existe a disposição da União Européia de contribuir no futuro para a paz da Colômbia diante do fracasso da guerra uribista, tem que adotar decisões que facilitem seu papel neste sentido. O contrário é quase que autoexcluir-se de uma gestão humanitária, própria de um coflito de natureza política e social como o colombiano.

Lembro que quando se adotou a decisão em junho de 2002, encontrava-me na Europa, em um giro, quase que solitário, promovendo a idéia da troca de prisioneiros ou intercâmbio humanitário, no início do primeiro governo de Álvaro Uribe Vélez, que não aceitava qualquer compromisso sobre o tema, muito menos para a paz negociada. Diante de funcionários das chancelarias da Espanha, Suécia, Áustria, França, Itália, Bélgica e do Vaticano, deixei claro que essa decisão não contribuia para o futuro papel dos europeus como facilitadores ou mediadores de paz em nosso país. O que seria, na eventualidade de aproximações entre as partes, quase que indispensável, porque a desconfiança recíproca ia ser um fator de perturbação e obstáculo. Observei que as chancelarias, pelo menos a maioria delas, tinham a mesma percepção. Mas foi o funcionário espanhol, ainda no governo de José Mária Aznar, que me deu a explicação de fundo: “Não podemos eludir a exigência do irmão maior”, me disse. Resta dizer que o “irmão maior” era o governo de George W. Bush, sócio da Espanha e da Grã-Bretanha na agressão terrorista ao povo iraquiano.

É parte da hipocrisia destes países em temas fundamentais nos quais prima o interesse de classe. Simplesmente isso.

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