47 anos do golpe militar de 1964

Cesar Mangolin

Há 47 anos os militares deram um golpe de Estado, derrubando um governo eleito pela vontade do povo.

Muito se escreveu sobre o tema da Ditadura Militar, que perdurou até 1985 e deixou em seu rastro centenas de mortos e desaparecidos políticos, milhares de exilados, presos e torturados, além de ter dado como “presente” aos brasileiros nossa adequação subalterna aos interesses do capital monopolista.

Acrescentei um texto mais longo sobre a ditadura militar na página “Textos Mangolin” deste blog ( https://cesarmangolin.files.wordpress.com/2010/02/cesar-mangolin-de-barros-a-ditadura-militar-no-brasil-2011.pdf ) aos que quiserem ler um apanhado sintético do processo que leva à ditadura, seus desdobramentos iniciais e seu sentido. Busquei ali, no final, salientar rapidamente alguns aspectos práticos da política econômica da ditadura .

Procuro justificar essa opção por dois motivos: primeiro, há muita coisa escrita sobre o aspecto repressivo da ditadura militar, o que não significa que seja já o bastante e que não haja muito ainda a ser revelado; segundo, a insistência nos aspectos repressivos podem dar uma idéia de que a ditadura teve como sentido principal conter o avanço das forças progressistas e de esquerda, o tão falado “avanço comunista”, tão somente.

Insisto que esse aspecto é importantíssimo, portanto, não há qualquer menosprezo pelas barbaridades cometidas no período. Apenas parece ser necessário associar mais esse aspecto com uma política mais ampla, que tem como pano de fundo a entrada do capital monopolista no Brasil, particularmente na década de 1950,  e a necessidade de se ajustar a intervenção do Estado, sua política econômica e também sua ação repressiva às novas necessidades de uma ordem burguesa, para os brasileiros, também nova.

Por isso insistimos na tese, que não é, obviamente, originalmente nossa, de qua a ditadura marca uma ruptura política, mas não uma ruptura econômica. Ela é a expressão jurídico-política de um novo cenário, marcado pela entrada e expansão do capital monopolista, em detrimento do capital nacional ligado à produção de bens de consumo não-duráveis e dos projetos de desenvolvimento nacional e autônomo do capitalismo, com acesso da população em geral às melhorias das condições de vida, como apontavam o programa dos comunistas e também as reformas de base, anunciadas por Goulart e decretadas dias antes do golpe.

Dois caminhos para o Brasil, distintos: um que poderia abrir espaço às liberdades democráticas e ao consequente acirramento da luta de classes, nos aproximando mais de políticas voltadas à redução das desigualdades sociais e da subordinação brasileira ao imperialismo; outro que reforçava nossa subordinação e que passava pela acentuação da exploração dos trabalhadores e das riquezas nacionais, exigindo, portanto, um governo forte, ditatorial e com forte aparato repressivo para realizar a obra de nossa miséria sem o grito dos trabalhadores nas ruas.

Este segundo caminho foi vitorioso e colhemos os frutos putrificados dessa saída conservadora até hoje.

Convido a lerem o texto citado e, dentro de nossos limites, debatermos mais a questão.

No mais, e na esperança de não termos que viver novamente o que se iniciava 47 anos atrás, devemos (sempre) saudar os que viveram, lutaram, morreram ou sobreviveram naquelas duas décadas sombrias de nossa história.

A luta deles, que é a nossa, continua!

Anúncios

2 comentários sobre “47 anos do golpe militar de 1964

  1. Olá professor,

    Encontrei no seu blog alguns textos de apoio para nosso trabalho sobre o Conceito do Modo de Produção, de Karl Marx.
    Adicionei seu blog aos meus favoritos! Sou da turma 2 de Comex, noturno.

    Sds,
    Giovanna

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s