1º de Maio

Cesar Mangolin

É bem sabido que o 1º de maio como marco da luta dos trabalhadores teve origem nas manifestações operárias que se iniciaram nesse dia em Chicago, em 1886, e resultaram em mortos e feridos nos atos de rua, além da condenação à morte de líderes do movimento.

Não deixa de ser curioso que os EUA não reconheçam a data até hoje, comemorando algo semelhante apenas no mês de setembro.

 Muito se tem debatido nos últimos anos sobre o caráter festivo que tem tomado as manifestações do dia do trabalhador no Brasil. Como se houvesse muito a comemorar, a data é marcada por grandes festas, com renomados artistas da música brasileira e pelos “brindes” diversos, que vão desde a distribuição de objetos de uso cotidiano até o sorteio de carros e apartamentos.

 Assumido pela França (em 1919) e depois pela URSS (em 1920) como feriado nacional, vários países pelo mundo afora adotaram a data.

 A deturpação festiva, porém, não é tão recente e não demorou muito a ocorrer.

Para os católicos, longe da festividade, o dia dos trabalhadores teria, a partir de 1955, a concorrência de um São José Operário, exemplo de resignação diante dos desígnios de Deus (na visão da Igreja, um exemplo melhor que o daqueles agitadores e comunistas).

 Antes disso, no Brasil da Era Vargas, o 1º de maio virou um dia de grandes manifestações cívicas e tradicionais anúncios de medidas que giravam em torno dos direitos trabalhistas, como a CLT, que aparece em 1943 e o salário mínimo que, ano após ano, tem seu reajuste anunciado pelo governo no dia dos trabalhadores. Instrumento criado para nivelar por baixo o valor da força de trabalho no Brasil, tal reajuste é anunciado como obra da benevolência governamental e como prova de que o Estado é imparcial e zela pelo bem comum.

 Marcada por essa indevida apropriação burguesa, fica mais fácil compreender porque as centrais sindicais de hoje se prestam a tais festividades, engolidas que estão pela máquina do Estado e pelos conluios da colaboração de classe e do peleguismo.

 Reafirmar o 1º de maio como dia de luta e de manifestação dos trabalhadores contra a ordem do capital é resgatar não somente a memória dos que tombaram em 1886 e ao longo do século XX mas, principalmente, demonstrar através dos atos que a luta deles é também a nossa e que nosso horizonte é socialista!

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