Bombardeios

João Quartim de Moraes
crédito: http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3984&id_coluna=24 

Passaram mais de quatro meses desde o início da vaga de rebeliões populares nos países de língua árabe e quarenta dias desde que a “coalixam” facho-liberal começou a bombardear a Líbia com a costumeira covardia (de longe apertam botões que lançam mísseis) e hipocrisia (dizem-se preocupados em proteger os “iuman raits”, mas querem mesmo é petróleo).

“Os aliados” (outro chavão mediático para designar a “coalixam” imperialista) não mentem apenas quanto aos fins, mas com também arrogante descaramento, sobre os meios. Anunciaram que imporiam uma “zona de exclusão aérea” para impedir Khadafi de massacrar seu próprio povo. Mas impuseram uma imensa zona de bombardeio aéreo para massacrar o povo de Khadafi.

Não é esta a primeira agressão imperialista contra a Líbia. Em 1986, R. Reagan ex-cowboy classe C de Holywood, alcagueta-mor do macarthysmo e no topo dessa peculiar carreira, presidente dos Estados Unidos, mandou bombardear Trípoli e Bengazi, matando sessenta civis, inclusive uma menina filha de Khadafi. A ONU, submissa ao Pentágono e ao dólar, aprovou então asfixiantes sanções econômicas visando a completar a obra destrutiva do grande bandoleiro da Casa Branca. Os abutres do Norte queriam voltar aos bons tempos do rei Idris, um estafeta coroado a serviço do cartel petroleiro estadunidense e da British Petroleum, que tinha sido derrubado em setembro de 1969 por um levante de oficiais patriotas, ditos “nasseristas” (o Egito naquele momento estava à frente da revolução árabe). No poder, o novo regime, cuja direção foi logo assumida por Khadafi, nacionalizou o petróleo, consagrando ao desenvolvimento da economia nacional os rendimentos que até então eram saqueados pelo colonialismo. Nem o bombardeio genocida de 1986, nem a tentativa da ONU de asfixiar economicamente a Líbia quebraram a moral das forças patrióticas.

Em 2003, porém, a “coalixam” comandada pelo “serial killer” G.W.Bush, após arrasar o Iraque com os sórdidos objetivos de matar o presidente Saddam Hussein e “restabelecer a dimócraci” por meio de “pavor e choque” (segundo a cativante expressão da Casa Branca), ameaçou fazer o mesmo com o país de Khadafi. Este sabia, por cruel experiência, que os gringos são capazes das piores atrocidades, sobretudo quando conduzidos por um débil-metal fanático e raivoso. Recuou, aceitando o “kit” do FMI para a periferia colonial: corte de subsídios aos bens de primeira necessidade, privatização de empresas estatais, livre trânsito para os trustes e os vampiros da alta finança etc. Não espanta que, assim manietada, a economia líbia tenha também sucumbido à estagnação e a suas consequências sociais perversas. Ao longo dos últimos anos, a taxa de desemprego em toda a região manteve-se em cerca de 30%. O descontentamento popular tinha pois causas concretas. Isso não bastou para evitar que a Líbia fosse atingida pelo fortíssimo efeito de contágio da rebelião do povo tunisiano, seguido pelo povo egípcio, e em graus diversos de amplitude e intensidade, pela maioria dos povos de língua árabe.

Mas desde o início esta nova rebelião apresentou aspectos peculiares: os opositores assumiram o controle de Bengazi, com a metade leste do país, rasgaram a bandeira da república substituindo-a pela da corrupta monarquia do rei Idris, capacho do imperialismo e em particular dos trustes petroleiros; ao passo que Trípoli e o oeste permaneceram do lado do governo, de modo que o confronto assentou-se desde logo sobre uma base regional, ao passo que na Tunísia e no Egito seu caráter foi nacional. Não por acaso o levante começou na região de Bengazi, onde se concentram os mais ricos campos petrolíferos do país, bem como os oleodutos, gasodutos, refinarias e portos. Não apenas objetivamente, mas em larga medida subjetivamente, os chamados rebeldes tornaram-se peças da máquina neocolonial da Otan. Clamaram pela intervenção da “coalixam” e aceitaram “assessoria” dos profissionais estadunidenses de “operações encobertas”. Fazem-se representar nas capitais imperiais por uma tal de Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), um grupo de exilados treinados, equipados e financiados pela CIA.

Enquanto isso, a “coalixam” vai defendendo os “iuman raits” dos líbios à sua maneira. No final de março, o bispo Martinelli, representante do Vaticano em Trípoli, denunciou um bombardeio “aliado” que massacrou quarenta vítimas civis no bairro Tajoura. O objetivo era assassinar Khadafi (que lá reside) por via aérea. Dois dias depois (3 de abril) ficamos sabendo que “caças matam treze rebeldes por engano” (cito a Folha do Frias: “Aviões aliados bombardeiam um comboio de carros de insurgentes ao confundi-los com forças de ditador”. A culpa, sugere o jornal, é de Khadafi, cujas forças “agora avançam em carros civis para confundir os pilotos”. Não se pode confiar em ditadores!

O bombardeio mediático acompanha a chuva de mísseis para a “dimócraci”. A TV France Internacional exibiu reiteradamente, na noite de sexta-feira, 15 de abril, a capa do jornal facho-liberal Figaro que exibia sob o título “Khadafi, vá embora” uma carta aberta com esse diktat colonial, assinada pelos três bandoleiros que estão à testa do decrépito “Ocidente”: Baraquiobama, patético palhaço das perdidas ilusões, seu sócio britânico que se chama Camarão ou algo parecido (embora mais pareça um toicinho defumado) e o presidente caçador de imigrantes cujo governo é o mais reacionário que a França conheceu desde o regime filo-nazista de Vichy (1940-1944).

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