A morte de Bin Laden e o deus capital

Cesar Mangolin

O caso da morte de Bin Laden é chocante.

Não vou aqui fazer a defesa dos grupos terroristas. Até certo ponto, respeito sua luta. Não temos um “terroristômetro”, mas sua ausência não nos impede de pensar nos EUA como o maior grupo terrorista da face da terra. Seu terrorismo, porém, é legitimado por partir da força do Estado e pelo discurso permeado de palavreado cristão e da defesa do ocidente e da democracia. Balela.

Por detrás do Estado, que nunca é imparcial, estão as corporações, as “necessidades” da reprodução do capital, a mesquinha e estúpida ordem que leva à morte milhares todos os anos. Há os que vivem da guerra e têm lucros enormes com ela, há os que precisam da guerra para abrir novas possibilidades de lucro… Business, apenas.

O chocante é ver um chefe de Estado aparecer na TV e dar a notícia do assassinato de alguém, como se isso fosse algo bastante natural. Pior ainda é ver notícias que apareceram hoje nas páginas da internet, afirmando, com a maior naturalidade, que o caminho para pegar Osama foi aberto por um preso que, sob tortura, abriu pistas sobre o paradeiro do líder da Al Qaeda.

Tortura! Na prisão de Guantánamo. A mesma prisão que o premio Nobel da paz, o tal Barak,  disse que iria fechar e jurou que os tais direitos humanos eram defendidos por ali…

Tortura, assassinato, sem contar os milhares de civis mortos nas aventuras afegãs dos yankees. Daí o presidente da república aparece na TV e afirma que a justiça foi feita e que o mundo está melhor agora.

A justiça ai aparece como um ato de vingança, que o povo estadunidense saiu às ruas para comemorar. Culturalmente medíocres e controlados pelo medo desde os tempos da Guerra Fria, esse povinho bunda mole logo voltou para casa: há de ocorrer represálias! De minha parte, digo: quero assisti-las também pela TV!

A sujeira dessa guerra não pára por aí, sem dúvida. Mas nessa sujeira, e já que a vingança virou objetivo de Estado, fico ao lado dos que pretendem vingar a morte de milhares de civis inocentes, que não manifestaram apoio à política de grupo algum, mas que foram barbaramente presos, torturados, mortos por bombardeios aleatórios. Milhares de vidas e famílias destroçadas pela sede de sangue do deus capital. Gente que não saiu às ruas para comemorar a morte de ninguém. Morte lenta e dolorosa a todos os que foram e são responsáveis por isso!

Fora o desabafo, que não entra na mesma lógica deles, resta pensar se o mundo está melhor, como diz o arauto da paz, o Obama da vez.

Nosso mundo não está melhor. Piora a cada instante, piora ainda mais quando os responsáveis por genocídios pelo mundo afora se colocam como os defensores da justiça. Que tal justiça não se abata sobre nós!

Na encruzilhada histórica desse início de milênio, apenas há uma alternativa para a melhoria do mundo e para a justiça de fato: se temos que matar alguém, que morra o deus que os move, que morra o capitalismo e seus anjos da corte real. O principal nicho deles está lá… nos EUA.

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3 comentários sobre “A morte de Bin Laden e o deus capital

  1. Professor Cesar Mangolin!

    Aprovo plenamente o que disse, e sinto-me a mesma raiva e indignação perante a essa corja de mentirosos e mafiosos que é o núcleo-duro desse capitalismo imbecíl. Desses americanistas, estúpidos e imbecís…

    MORRA WASHIGNTON!!! (não o prof. claro)…

    Viva os Revolucionários!

  2. “Milhares de vidas e famílias destroçadas pela sede de sangue do deus capital”.
    Quando Jesus disse que não se pode servir a dois senhores DEUS e MAMOM Ele deixava claro que os que se dizem religiosos e se curvam às riquezas são incapazes de compreender o significado do andar com DEUS. Arrotar pretensa fé não faz de alguém verdadeiro seguidor do Cristo. Mamom nada mais é que o deus capital a que se refere nesta reflexão o Prof César Mangolim.

    Abraços fraternos, caro amigo!

    Paz e Saúde!!

    Lourival Nascimento

  3. Professor, o que mais mim preocupa é que: os Estados Unidos tem mecanismos de justificativa para legitima seus atos de terrorismo (se existe terrorismo no mundo os Estados Unidos é o principal mentor), com o apoio da mídia, que intensificam ainda mais essa justificativa, sem nos da à chance, de fazer questionamentos e muitas pessoas acreditam (alias uma boa parcela da população do mundo).Isso é muito perigoso pois só fortalece as ações terroristas dos Estados Unidos todo vez que ele (Estado Unidos) acha que tem que ataca.

    Dina Lopes (sua fã)

    abraços.

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