Repúdio à invasão de Pinheirinho pela polícia de Alckmin

Cesar Mangolin

Reproduzo abaixo uma nota política do PCB sobre a violência ocorrida em São José.

Pensei em escrever algo, mas as imagens disponíveis falam por si. Espero que o sofrimento daquelas famílias de trabalhadores sirva para que os mais ingênuos tomem como mais um exemplo o verdadeiro caráter do Estado numa formação capitalista, uma máquina ativa na defesa dos interesses da classe burguesa, um centro e modelo de organização do poder, que precisa ser destruído para que qualquer transformação ocorra, por mais que isso doa aos “posmodernosos” seguidores de Foucault e de Holloway.

O Estado contra o povo somente pode mudar quando o povo se voltar contra esse Estado e destruir, com ele, os capitalistas e o capitalismo.

Nossa luta deve caminhar sempre mais nesse sentido e menos nos devaneios teóricos dos que se escondem atrás dos livros para justificar sua passividade.

 

Nota política do PCB de São Paulo

A Comissão Política Regional do Partido Comunista Brasileiro de São Paulo manifesta seu repúdio à truculenta e selvagem invasão de Pinheirinho, comunidade de sem teto composta por cerca de 1.600 famílias na cidade de São José dos Campos, em São Paulo. Num verdadeiro ato de guerra, cerca de 2 mil policiais, com viaturas, cassetetes, bombas de efeito moral, cães farejadores, gás lacrimogêneo e gás de pimenta, orientados por helicópteros que sobrevoavam  ameaçadoramente a região, invadiram a comunidade, ferindo vários moradores, prendendo outros, derrubando residências e batendo em mulheres e crianças; inclusive houve registro de arma de fogo contra os moradores; alguns ficaram feridos.

Os sem teto ocuparam essa área, de propriedade de uma empresa falida do mega especulador Naji Nahas, há cerca de oito anos e lá construíram suas casas e viviam com suas famílias. Os moradores já estavam providenciando a regularização da área quando os proprietários pediram a reintegração de posse. A justiça estadual, mais uma vez demonstrando seu caráter de classe, autorizou a desocupação. Há alguns dias atrás, em função da mobilização popular e da participação de parlamentes de esquerda, chegou-se a um acordo no qual os moradores teriam quinze dias para negociar a regularização do terreno, mas inesperadamente hoje pela manhã (dia 22/1) foram surpreendidos pela invasão policial.

Trata-se evidentemente de mais um episódio de criminalização dos movimentos sociais pelo governo Alckmin, que vem realizando uma verdadeira escalada conservadora. Primeiro, foi a invasão da USP pela polícia militar; depois veio a repressão na Cracolândia, num típico ato de higienização do centro de São Paulo, e agora a invasão da comunidade de Pinheirinho. Esses atos demonstram claramente o caráter truculento, antipopular e antidemocrático desse governo do PSDB, que governa o Estado há mais de 20 anos. Ressalte-se ainda que o prefeito de São José Campos, onde se encontra o acampamento, também é do PSDB.

Partido Comunista Brasileiro, coerente com sua posição de classe, tão logo tomou conhecimento da invasão de Pinheirinho, enviou vários militantes para a região, de forma a dar solidariedade ativo à luta popular, inclusive militantes e dirigentes do Partido estão nesse momento junto ao movimento popular colaborando com o processo de resistência.

Todo apoio à  luta dos moradores de Pinheirinho

Todo apoio à  resistência popular.

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Postado em PCB

7 comentários sobre “Repúdio à invasão de Pinheirinho pela polícia de Alckmin

  1. Eu, sendo um policial, sempre digo: Todos devem gostar e respeitar a policia, mas a policia deve gostar e respeitar tbm do povo e nao acatar ordens absurdas. O que estamos vendo ultimamente na tv é a PM agindo como cao de guarda da burguesia. Enquanto o escandalo da privataria se segue sem nenhuma prisao, vemos a PM indo pra cima da policia Civil (greve das policias), indo pra cima de estudantes (caso da USP), espancando doentes (caso da cracolandia) e agora massacrando e assassinando crianças pobres (caso pinheirinho). A Pm tem que deixar de ser alienada e lobotomizada como é hj em dia. A PM faz tudo que o governo manda, sem nem discutir se é licito, se é constitucional e se é ético. Mandou dar paulada no pobre, a PM vai. Mandou atirar e matar o pobre, a PM vai, enquanto isso os maiores bandidos (engravatados) seguem livres e impunes, ate quando?

  2. Eu também faço meu manifesto de repúdio em concordância com o post. É absurdo desprezar os “bens humanos” (leia-se ser humano e sua dignidade) e supervalorizar os “bens dos humanos” (leia-se propriedade privada).
    A ética cidadã está sendo esmagada pelo legalismo da propriedade privada.
    Aliás, infelizmente, o Estado e seus aparatos estão á serviço dos donos das propriedades e do capital.
    Eu, como participante da igreja militante, também demonstro meu repúdio contra atos contrários à vida e à dignidade humana.
    Infelizmente, na ótica do sistema capitalista o ser humano é apenas um detalhe. Detalhe, não! Um entrave, ou melhor dizendo uma mal necessário.
    É preciso uma mudança total e radical de atitude da mente e do corpo.

  3. Essa violência não caracteriza o “fim do capitalismo?”Podemos fazer trasformações com o capitalismo:o chamado capitalismo de Estado.

  4. Eu não vi 1 padre, eu nao vi um pastor evangélico, eu nao vi um líder religioso la defendendo aquele povo do massacre. Os únicos que eu vi lá foram o Ivan Valente e o Gianazzi do Psol, vi tbm o Suplicy.
    A TV esta toda tomada por pastores e padres com seus programas cristãos, poderiam muito bem usa-los para acusar estes absurdos, mas não, eles preferem ficar do lado dos ricos e opressores.
    Meus amigos policiais evangélicos, todos estao do lado de Nahas e contra a comunidade de pinheiro. Segundo eles, o direito a propriedade é um direito biblico. Os invasores etao errados e se for preciso, serao mortos para garantir o cumprimento da lei dos homens e das leis de deus. Este episodio serve para vermos como os cristãos sao reacionários. Muitos erros cometeu Stalin, mas ter proibido as igrejas, foi uma sábia medida. Enquanto houver cristianismo e igrejas no poder (Alckimim pertence a Opus Dei, uma entidade da igreja), o povo será oprimido.

  5. Porque retomaram a área do Pinheirinho?
    Resido em São José dos Campos alem de professor de Sociologia, sou Perito Avaliador Imobiliário e Corretor de imóveis, posto isto informo:
    PRIMEIRO : A área retomada ( 1,3 milhões de metros quadrados) é vizinha, parede a parede, ao Condomínio Mirante do Vale, de classe alta AAAAAAAA, com mansões cujo o preço médio é de R$ 1,5 milhões , com terrenos de 1000 metros quadrados em média. Só o lote é avaliado por volta de R$ 350 mil.
    SEGUNDO: De fronte ao Pinheirinho (atravessando a avenida) existe um Condomínio Industrial que abriga empresas chamado “Eldorado” , com portaria etc etc., cada terreno deste condomínio empresarial mede entre 2,0 mil e 3,5 mil metros quadrados cujo o preço módico é de cerca de R$ 650,00 o metro quadrado, se tomarmos por base um lote sem construção (que só existe um a venda) com 2 mil metros quadrados , chegaremos ao valor , somente da terra de R$ 1,3 milhões.
    Portanto caro professor , uma área super valorizada, em hipótese alguma aqueles pobres e sem teto poderiam competir com o capital , as luzes do direito da propriedade privada, a qualquer custo (morte , violações estupros , violência) a classe dominante permitiria isto, pois pobre sobre o manto do regime capitalista é lixo e como tal foram retirados de lá, pois seres humanos sem receita e sem donos , nada valem .
    Estive lá antes , durante e após a reintegração de posse , e até hoje não consegui me recompor do trauma de como aqueles seres humanos foram tratados, com o cinismo dos políticos e do judiciário e a violência da polícia.
    Mauro Cipro

  6. Como já dizia uma letra de Rap: “O ser humano é descartável no Brasil”.

    Arrebentaram com a população pobre para beneficiar um empresário milionário. As palavras de Marivalton Rissatto, que postou anteriormente, reflete o que é a PM. Age sem pensar. Bate sem razão. Por mais que muitos PMs tenham consciência disso, a repressão persiste e Ai daquele que se recusar seguir uma ‘ordem’ de seu ‘superior’.

    O sistema é foda!

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