Natal… de novo Natal…

Cesar Mangolin

Esta época do ano é cheia de exemplos bons para coisas ruins.

Empolgados com os festejos do final do ano, os cristãos e os consumistas nos fornecem uma série incrível de temas para escrever um pouco sobre a vida cotidiana.

Apesar de tantos, me sirvo aqui apenas de dois. Um se deve a uma reação de católicos ao protesto de um deputado do PSOL à homofobia do “santo” padre. Outra a um passeio forçado pela avenida Paulista.

No primeiro caso, o deputado Jean Willys, do PSOL, fez críticas bastante tímidas às palavras de Bento XVI sobre a união de pessoas do mesmo sexo. Na cabeça medieval e nazistóide do papa, tal união geraria um perigo à paz mundial!

Não se pode esperar nada de um sujeito como esse, assim como não se espera que um asno profira palavras sábias apenas por ser alçado ao posto de chefe deles todos. O que chamou a atenção foi a reação que presenciei num desses posts no facebook. A coisa foi lamentável.

Alguns pediam orações ao desviado deputado. Outros foram mais além: na tentativa de defender as orelhudas palavras do ex-membro da juventude hitlerista, os católicos ali se utilizaram de argumentos como: “quem sofre de distúrbio sexual não pode ser feliz”; “quem não quer ser humilhado deve pensar antes de ser gay”; “isso é coisa de viadinho recalcado” e por aí vai, pra muito, muito pior.

É bonito ver que, às vésperas de uma grande festividade cristã, nossos irmãos estejam com a língua tão afiada quanto o cérebro atrofiado. As vezes as duas coisas não se correspondem tão perfeitamente. Que a pombinha do espírito santo lhes ilumine, ou lhes cague na cabeça: assim, seu cérebro deve crescer um pouco, por simples adição da mesma substância.

Claro que os que lêm estas linhas vão me encher daqueles comentários fáceis de que não são todos assim, que eu novamente estou generalizando etc, etc. Sugiro que gastem as energias, já que, sem dúvida, não são todos da mesma forma, com a discussão interna. Isso mesmo: os cristãos que não são tão obtusos têm uma tarefa grandiosa internamente. A conversão não é algo apenas do discurso, mas uma tarefa cotidiana. Por favor, ensinem seus companheiros (as) a respeitar a vida e não um código moral todo ele estranho ao que parece ser a mensagem de seu mestre.

Erasmo de Rotterdã, que era cristão e membro do clero, dizia que todo o cristianismo poderia se resumir numa simples frase: que amam-se uns aos outros! A prática da discriminação e da humilhação pública não parece condizer com isso.

Como disse, por obrigações outras, fui obrigado a passar pela avenida Paulista numa noite e numa tarde. Convenhamos que não há nada de muito bonito para se ver lá que justifique o trânsito e a quantidade de pessoas. Mas, enfim, há gosto pra tudo. O que mais me chamou a atenção, para além das alegorias de inverno debaixo dos 35 graus, que não deixa de ser uma transplantação cultural altamente questionável, foi uma loja que tinha em sua porta, com uns dois metros de altura, a seguinte sequência: HOHOHO.

Todos sabem o que isso quer dizer: é o grunhido do velhinho de vermelho, filhote das necessidades propagandísticas das grandes corporações. O que grita nos olhos e nos ouvidos, porém, é que a tal sequência é lida como ROU-ROU-ROU (com o som do “r” igual aos dois erres). No bom português, deveríamos ler O-O-O. O nosso “h” não tem som de “r”, nem nosso “O” vira “OU”.

Eu sei que estou virando um tiozinho ranzinza, mas isso me parece ser, na Paulista, a melhor síntese de como nos submetemos acriticamente a essa coisa toda.

Seja do jeito que for, para um ou outro exemplo, cada qual que se dispõe a rastejar se rasteja como pode e como quer.

Que comam a terra do chão sonhando com as alturas.

 

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6 comentários sobre “Natal… de novo Natal…

  1. maravilhosoooo!!!! não tenho nem palavras para responder ou comentar a altura de tuas palavras, cada vez me orgulho mais de ter sido sua aluna e ter plantando ainda que pequena muda destes conceitos tão sábios que você ensinou, não sei nem se fiz a colocação certa mas como disse , apenas plantei estou esperando nascer os frutos… bjs e parabéns foi a definição mais perfeita que li sobre o natal…..

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