A água, os ricos e os pobres…

Cesar Mangolin

Dia desses uma jornalista estrangeira perguntava por qual razão a cidade de São Paulo passava por uma crise de abastacimento de água tendo um grande rio que a cortava… Mal sabia ela que o tal rio é, na verdade, mais uma produção dos vinte anos de tucanagem paulista, mais os anos do quercismo e do malufismo…

O Tietê poderia, de fato, auxiliar bastante na crise, não fosse apenas um belo rio de merda e lixo que custou bilhões ao cofres públicos. Muito dinheiro foi jogado ali com projetos furados de despoluição. Lembro ainda das propagandas do Picolé de Chuchu (o “Alckminho” bicudo) prometendo um rio limpo até 2016, apto para a natação, a navegação e para a pesca! Passado esse tempo e alguns bilhões depois, qualquer um pode perceber apenas pelo cheiro que nadar ali não é recomendável, que navegam no rio apenas as garrafas pet e lixo de todo tipo e que o único peixe encontrado é o famoso “bagre cego”, ou o popular japonês “toroço”.

Fora o bombeamento de esgoto do Pinheiros para a Billings! O Alckiminho Bicudo chamou recentemente a Billings de “caixa d’agua de São Paulo”, a salvadora da pátria! Passei com minha família na segunda-feira pela região em que se encontram o Pinheiros e a Billings e de onde o tal bombeamento é feito. Fica bem no final da Marginal Pinheiros, vai até a região por trás do autódromo de Interlagos e até a Estrada do Alvarenga, que liga São Paulo a Diadema e São Bernardo. Em toda essa região, densamente populosa, parecíamos envoltos numa nuvem de bosta pura, tal o cheiro que cobria todo o espaço!

Mas mesmo que tucano tente até culpar São Pedro por suas irresponsabilidades, o fato mesmo é que a tal crise se deve à ausência de planejamento, não somente da interligação das bacias que servem toda a região metropolitana, mas pela permissão e, por vezes, até pelo estímulo ao desmatamento, à ocupação indevida de terras próximas a rios e represas, a destruição de matas ciliares, a substituição de mata nativa por eucalipto e uso privado da água de rios, desviados de seus cursos naturais. Ainda temos a privatização parcial da Sabesp, que explica em parte o problema, afinal a lucratividade foi alçada como objetivo da empresa, não o serviço público…

E que fique bem claro que a culpa disso não é do povão que ocupa essas áreas para que possam erguer ali qualquer coisa que lhes sirva de abrigo um dia após o outro. Na beira da Billings e da Guarapiranga é possível ver várias mansões construídas com fundo na represa… Terrenos imensos, com a mata devidamente derrubada, trazendo prejuízo para a fauna da região e, sem dúvida, contribuindo para a (im)possibilidade das chuvas…Irregulares da mesma forma que os barracos dos mais pobres, essas casonas não são jamais questionadas… Pode ser porque o esgoto que mandam diretamente para a represa contém restos de vinhos caros e comidas chics… Merda deve ser qualificada também!

Aliás, os setores médios mais abastados não têm sofrido em nada a tal crise hídrica. Possuem dinheiro para os carros-pipa e para a água mineral entregue em casa. É por isso que se voltam como cães contra o governo federal e não percebem o que ocorre bem debaixo de seus narizes. Talvez o hábito em sentir o cheiro ruim tenha lhes prejudicado o faro de vira-latas. Se existe algo democrático e de acesso a todos em São Paulo é, sem dúvida, o fedor! Tem até codomínio irregular que desvia curso de rio para tornar a vida mais aprazível para a classe média cor-de-rosa. Ainda que esse rio seja importante afluente para o abastecimento de Campinas e região.

(quem quiser ver melhor essa loucura que ocorre num terreno irregular e sem autorização da Cetesb etc, veja: http://www.contextolivre.com.br/2015/02/veneza-paulista-privatiza-rio-e-oferece.html?utm_medium=facebook&utm_source=twitterfeed ).

Mas os mais pobres, além de não possuírem o dinheiro para comprar água e nem casa na Veneza brasileira, também sofrem (por causa da mesma ausência de planejamento e política pública da tucanagem) com os alagamentos, com as torneiras secas, com água com doses extras de coliformes fecais, mais conhecidos popularmente como merda mesmo. São eles que ficam na linha do trem à beira do Pinheiros, admirando uma bela vista, mas sem condições de respirar e com muito medo de que os ratos imensos que habitam ali resolvam subir à plataforma… Quando ocupam irregularmente uma área para viver, assim como fizeram os que quiseram reconstruir uma Veneza “à brasileira”, são despejados violentamente pela polícia fascistóide do Alckiminho Bicudo, o boca-mole.

Todo o dinheiro gasto não mereceria uma boa investigação??? Garanto que só no Tietê já se gastou mais que o apurado com a corrupção na Petrobras, que é histórica. Isso mereceria um processo de “impeachment”, isso é crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Pena que a reaçada e a esquerda infantil está apenas preocupada em ferrar com o PT… Vai lá, coxinha, fazer passeata pelo impeachment da Dilma enquanto toma um belo suco de merda da torneira!

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